Newsletter ECD #137

A “nossa” Newsletter, junto com o “nosso” Podcast Áreas Contaminadas, cumpre um papel de dar poder pelo conhecimento, trazendo informações, conteúdos, textos, temas, dicas e notícias sobre Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC), e também notícias sobre meio ambiente, ambientalismo, saúde, filmes, livros, músicas, teorias para adiar o fim do mundo e outras coisas, sempre com comentários com o objetivo central de construir um mundo melhor para todas e todos.

Se alguém quiser compartilhar a nossa Newsletter, pode mandar o link para preenchimento do formulário de inscrição, que é esse: https://forms.gle/wJoFfUzv9vSkw19g7 .

Algumas das Newsletters anteriores estão no site da ECD (www.ecdambiental.com.br).

E também, graças ao nosso amigo José Gustavo Macedo, nossa Newsletter está sendo publicada também no site do Sigesp – Sindicato dos Geólogos do Estado de São Paulo, o que é motivo de muita honra para nós!!!! Vejam lá a Newsletter #136 e algumas anteriores

https://sigesp.org.br/noticias/newsletter-ecd-136

     

Aproveito e recomendo aos Geólogos que se filiem ao sindicato, isso é muito importante para toda a sociedade.

 

Essa semana tivemos a honra de ter mais 6 novas inscrições aqui. Somos atualmente em 667. Sejam bem-vindas e bem-vindos: João Vítor, Rafaela, Ana Lúcia, Adriele, Mayla e William !!!!!!

 

Gostaria de relembrar que temos uma campanha no “Apoia.Se”, que é muito importante pra gente, pois ela ajuda a mantermos os nossos canais de divulgação científica gratuitos nessa Newsletter e lá no Podcast Áreas Contaminadas. A campanha, para quem quiser e puder contribuir está no site http://apoia.se/ecdambiental

É simples, você faz login na plataforma e escolhe como fazer esse pagamento, com boleto, cartão, etc. A transação é segura como qualquer compra online e mensalmente o Apoia.se faz essa cobrança; se for por boleto, a plataforma te envia os boletos mensalmente.

Agradeço aos apoiadores e às apoiadoras atuais, principais responsáveis pela manutenção dos nossos canais de divulgação. Sem a ajuda deles, dificilmente seria possível dedicar todo esse tempo à pesquisa, produção e o desenvolvimento do material gratuito do podcast e dessa Newsletter. Muito obrigado a vocês!!!

 

Ábila de Moraes, Alison Dourado, Allan Umberto, André Souza, Atila Pessoa, Beatriz Lukasak, Bruna Fiscuk, Bruno Balthazar, Bruno Bezerra, Bruno Bonetti, Cristina Maluf, Daiane Teixeira, Daniel Salomão, Diego Silva, Fabiano Rodrigues, Fernanda Nani, Filipe Ferreira, Geotecnysan, Gilberto Vilas Boas, Guilherme Corino, Heitor Gardenal, Heraldo Giacheti, Jefferson Tavares, João Paulo Dantas, João Lemes, Jonathan Tavares, José Gustavo Macedo, Joyce Cruz, Larissa Macedo, Leandro Freitas, Leandro Oliveira, Lilian Puerta, Luana Fernandes, Luciana Vaz, Luiz Ferreira, Marcos Akira Ueda, Marina Melo, Nádia Hoffman, Paulo Negrão, Pedro Astolfi, Rafael Godoy, Rafael Sousa, Renato Kumamoto, Roberto Costa, Rodrigo Alves, Silvio Almeida, Sueli Almeida, Tamara Quinteiro, Tatiana Sitolini, Tatianne Grilleni, Tiago Soares, Wagner Rodrigo, Willem Takiya, e mais 7 apoiadores anônimos.

 

Gostaria também de convidar vocês a ouvir os primeiros episódios do Screening de Notícias, nosso mini-podcast derivado do nosso Podcast Áreas Contaminadas, apresentado por Lillian Koreyasu Riyis. A ideia com o SdN é trazer as principais notícias do GAC, meio ambiente, economia, saúde e de outros assuntos relacionados, fazendo comentários da nossa visão sobre os fatos, da mesma forma que aqui na Newsletter, mas em formato “podcastal”. Espero que gostem. Temos 07 episódios no ar!!!!!

 

Episódio #142 do Podcast Áreas Contaminadas, o 7º da 4ª temporada, foi ao ar, na última quinta (16/02). Nele, conversei com Lilian Puerta Machado Silveira.

Lilian é Técnica em Edificações e em Saneamento, Engenheira Ambiental, Mestra em Análises Ambientais Integradas pela UNIFESP, e atualmente trabalha como Consultora Independente. Ela conta no episódio a sua trajetória muito interessante, de garota pilhada, fazendo dois cursos técnicos simultaneamente, e depois, estagiando, trabalhando, entrou na Universidade para cursar Engenharia Ambiental na Oswaldo Cruz e então conseguiu entrar em um estágio em uma consultoria dentro do GAC. E daí para frente, não parou mais, se tornou uma profissional muito conhecida e reconhecida no nosso mercado.

Uma de suas especializações, quando ainda trabalhava em empresas de consultoria, é a técnica de remediação conhecida por Eletrocinese, que se baseia em aplicar uma diferença de potencial em dois eletrodos e, na formação do campo elétrico, os íons caminham para os eletrodos correspondentes. Além de proporcionar a migração de íons, como metais, esse caminhamento dos íons pode “arrastar” a água subterrânea, o que permitiria remediar outras SQIs, inclusive orgânicas.

Então, já com um filho, ela resolveu mudar o seu “Modo de Vida” e trabalhar como Consultora Independente para outras consultorias. E, junto com isso, entrou no mestrado na UNIFESP estudando Eletrocinese. Junto com tudo isso, ficou grávida do segundo filho, para combinar com seu perfil de “mulher pilhada”. Lilian também fala do mercado do GAC, e termina o episódio falando de Educação dos filhos, dando mais uma aula, desta vez sobre as Escolas Waldorf.

Então, mais que a parte técnica, ela nos mostra outros “Modos de Vida”, deixando claro que desistência não é fraqueza, é simplesmente mais uma escolha que, como todas as escolhas na nossa vida, engloba renúncias e prioridades. Espero que as mensagens dela ajudem vocês a refletir sobre os modos de vida

 

Episódio no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=mmWQIMV3Nk4

Episódio no Spotify: https://open.spotify.com/episode/7bwlOuKIsjSJqd6m3BygrE?si=SGB89QnKTueZcEuivI8kaA

 

Nesse episódio, mais uma vez tentamos implementar algumas sugestões que recebemos, como reduzir o tempo de alguns episódios de entrevistas. Então, a ideia vai ser deixar as reflexões mais aprofundadas aqui na Newsletter e eventualmente nos episódios do Screening de Notícias.

Um desses cortes foi o meu agradecimento nominal aos apoiadores e apoiadoras financeiras do Apoia.Se. Na verdade, eles não têm nenhuma vaidade, eles estão realmente felizes em poder nos ajudar. Então, não é nenhum descaso, eu continuo muito agradecido aos apoiadores, os agradecimentos pessoais continuarão a ser feitos e os agradecimentos públicos ficam aqui na Newsletter e na descrição dos episódios. Eles sabem que nos ajudam muito a construir essa Comum-unidade aqui, de pessoas verdadeiramente interessadas em compartilhar o que sabem, em crescer juntos, não querendo simplesmente vencer, mas Com-Vencer, ou seja, vencer com os outros.

Não temos seguidores, temos amigos, que caminham ao nosso lado nessa construção, nesse Com-Viver. É realmente um orgulho e uma honra estar nesse projeto com todas e todos vocês. Vamos juntos, todas e todos, por um mundo melhor!!!!

 

Na próxima semana, teremos o Episódio #143 do Podcast Áreas Contaminadas. Será mais um episódio mais curto e técnico que tem o objetivo principal de ajudar as pessoas que não podem estar nos centros de discussão do GAC, especialmente os trabalhadores e trabalhadoras que estão com a mão na massa no dia a dia. Com isso, essas pessoas acabam sendo empoderadas, afinal, conhecimento é poder. O nosso sentimento é que temos conseguido atingir esse objetivo, e as pesquisas que temos feito nos confirmam esse ponto. Essa semana, falaremos sobre o acidente em East Palestine, Ohio. Espero que vocês gostem!!!

 

O Nosso Podcast Áreas Contaminadas tem o patrocínio Master da Clean Environment Brasil (www.clean.com.br ), e o Patrocínio Ouro do Laboratório Econsulting (http://econsulting.com.br/) e da Vapor Solutions (www.vaporsolutions.com.br)

  

Vamos agora às notícias da semana:

 

Recebi essa semana algumas contribuições muito legais de: Manoel Riyis Gomes, Fabiano Rodrigues (novamente muitas vagas de emprego vieram dele), Valter Batista, Allan Umberto, Júlio Vilar, Henrique Mattos. Obrigado, pessoal!!! Fico orgulhoso de ter tanta gente boa contribuindo com nosso “espalhamento” aqui!!!  Quem identificar erros ou falhas, ou quem tiver dicas, críticas, sugestões para dar, por favor, me mande, para rechearmos esse espaço com as ideias de vocês.

 

- Recebi, nessa última semana, algumas vagas de emprego para divulgar: Geoambiente (Analista, São Paulo), ConAm (Estágio), Valcon (três vagas: Analista, Técnico e Estágio), EBP (Estágio), Grupo EPA (muitas vagas). Soube também de várias outras vagas não anunciadas em muitas outras consultorias, se você é um profissional da área, recomendo que entre no site da AESAS e entre em contato diretamente com as empresas associadas (www.aesas.com.br). As vagas que recebo ou vejo, compartilho imediatamente no nosso Canal do Telegram (https://t.me/areascontaminadas)

 

- Anuncio que continuam abertas (só até essa semana!!!!) as inscrições para o processo seletivo da 10ª turma de Pós-Graduação em Remediação de Áreas Contaminadas no SENAC. As aulas vão se iniciar em março/2023. O curso tem duração de 1 ano, com aulas aos sábados, normalmente presenciais, e aulas online em um dia da semana (terça ou quinta). Mais informações e inscrições no site: https://www.sp.senac.br/centro-universitario-senac-santo-amaro/pos-graduacao/pos-em-remediacao-de-areas-contaminadas?inscricao=true

 

- Estão abertas, também só por mais essa semana, as inscrições para o curso da parceria SENAC/AESAS exclusivo para profissionais de órgãos ambientais. É um curso de Introdução ao GAC, com 40 horas de duração, que tenho a grande honra de coordenar. Será um curso online, ao vivo, às terças e quintas, das 8:00-12:00. Se vocês se enquadram, façam a inscrição!!!! Se souberem de alguém que possa se interessar, indique o site da AESAS. www.aesas.com.br/eventos

 

- Sem dúvida, o assunto mais potente da semana, e provavelmente do ano, é o acidente do trem com descarrilamento de vários vagões, especialmente alguns ontendo Cloreto de Vinila. Expliquei o básico desse caso na Newsletter #136, da semana passada. São muitos pontos de vista, muitas considerações, tomadas de decisão, risco agudo e crônico, mas certamente um dos pontos mais importantes é que não se trata de um “Novo Chernobyl”, está bem longe disso. Outro ponto é que não devemos embarcar em teorias da conspiração despropositadas, afinal, esse tempo acelerado, de redes sociais, acabam nos jogando em gritarias sem muitas reflexões. Por outro lado, é um caso grande e extremamente grave, com consequências ambientais severas de longo prazo. Vamos às notícias e comentários:

 

- Explicação mais detalhada, em português, fala da empresa privada que cuida de diversas ferrovias no leste dos EUA, a Norfolk Southern, e que, quatro dias depois do acidente, as pessoas ainda não podiam voltar para suas casas por conta da inalação dos gases e vapores tóxicos e potencialmente tóxicos. A zona de evacuação chega a 3 Km do local do acidente, e escolas fora desse raio, próximas do local foram fechadas. A queima do Cloreto de Vinila gera gás cloro, extremamente tóxico e gera fosgênio (COCl2), toxico e corrosivo.  https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2023/02/07/milhares-continuam-fora-de-casa-nos-eua-por-vazamento-de-gas-apos-trem-descarrilar.htm

 

- Vídeo dos corpos d’água, com sinais de contaminação. Infelizmente isso tem causado a morte de muitos animais, inclusive domésticos em East Palestine. Há vídeos de reportagens mostrando a fumaça que persiste no local 5 dias após o acidente. E apontam que o Cloreto de Vinila que não queimou atingiu o Rio Ohio, que é um afluente importante do Mississipi, e tanto um quanto outro servem para irrigar muitas plantações, então o caso vai afetar milhares de produtores rurais. Só em Ohio há 75 mil propriedades rurais, 90% delas na mão de “pessoas físicas”, pequenos produtores, algo como o que chamamos aqui de “agricultura familiar”. https://twitter.com/0ddette/status/1624102477309116416?t=-TQ9jNx5uIxxfmAa_cplxA&s=08

 

- Longo fio no Twitter, com muitos detalhes e imagens interessantes, em especial quando ele fala, em linguagem mais leiga, sobre os riscos crônicos à saúde humana de inalação de cloreto de vinila, os carcinogênicos e os não carcinogênicos, que afetam o Sistema Nervoso Central, fígado, rins, pulmão, baço e sangue. Além do Cloreto de Vinila, como se fosse pouco, havia vagões com etilenoglicol, e isobutileno. Animais estão morrendo há 10 milhas (16 Km) do local. Entre os acionistas da Norfolk Southern estão enormes fundos de investimento como o Black Rock, o JP Morgan, o Vanguard. Os problemas mais graves são para as pessoas com asma. Especialistas (em tese somos nós) estão testando HCl, fosgênio e dioxinas no ar atmosférico. Um deles reclama da dificuldade para encontrar um PID com lâmpada adequada para o fosgênio. A Consultoria contratada pela Norfolk é do Arkansas, chamada Center for Toxicology and Environmental Health (CTEH). Segundo os autores, é uma empresa “controversa” por ter cometidos erros a favor de suas contratantes no caso do Katrina e no vazamento de óleo da BP. O site da empresa diz que é uma empresa de toxicologia ambiental baseada em ciência. https://twitter.com/KanekoaTheGreat/status/1625214707727765504?s=08

 

- Explicação indicada por Allan Umberto, resume bem o ocorrido: Um trem com 150 vagões descarrilou em Ohio no dia 3 de fevereiro. Cerca de 50 vagões saíram do trilho, sendo que pelo menos 20 desses carregavam materiais perigosos. O acidente causou o vazamento de cloreto de vinila, material que explodiu, pegou fogo e liberou uma enorme coluna de fumaça preta no ar. O cloreto de vinila é um material altamente inflamável e cancerígeno, que pode ser mortal, causar queimaduras ou, se inalado, sérios danos ao pulmão. Cerca de 2 mil pessoas, num raio de 1,6 km do acidente, tiveram que sair de suas casas. Três dias depois, equipes de emergência atuaram para liberar a substância de 5 vagões que não vazaram ou queimaram no acidente. Essa liberação envolveu uma explosão e a queima controlada do produto, gerando novamente uma enorme coluna de fumaça. A EPA acompanhou o trabalho e declarou que o impacto ao meio ambiente foi mínimo, mas que seguem monitorando o ar e a água da região. O governo local liberou as famílias a voltarem para suas casas, mas muitas estão com medo de se intoxicarem. Muitas imagens impactantes https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/02/13/descarrilamento-de-trem-em-ohio-causa-vazamento-de-produto-quimico-e-contaminacao-do-ar.ghtml

 

- Essa aqui é mais aplicada para nós, uma dica do Júlio Vilar: notícia de Ohio que inclui um plano de intervenção elaborado pela Arcadis/EUA. Esse plano tem seguido alguns passos: o primeiro foi remover a fase líquida visível que ainda estava no local com caminhões de vácuo. Removeram 180 mil galões (cerca de 700 mil litros). A seguir, começaram a monitorar o ar ambiente e a coletar amostras de solo e água superficial e água de poços existentes na área. Resultados não foram divulgados. A próxima etapa será remover o solo superficial, para evitar o risco de contato dérmico e inalação do solo contaminado. A seguir, farão amostragens de solo (amostrai o solo!!!) já nos próximos dias. Depois dessa etapa, vão investigar a qualidade da água subterrânea. A ideia é instalar poços de monitoramento para monitorar a extensão da pluma de contaminação em fase dissolvida. Em inglês, os objetivos da intervenção/remediação são os seguintes: Removal of readily available separate-phase liquid for purposes of overall COC mass reduction; Mitigation of ongoing expansion or migration of COC impacts to the extent practicable; Protection of ecological or human health receptors in Sulphur Run and downgradient surface water bodies; Protection of human health via prevention of exposure to impacted soil posing a direct contact risk, impacted drinking water, or impacted soil vapor; Removal of readily addressable impacts to storm sewers and similar structures. Vejam a reportagem muito legal em:  https://www.news5cleveland.com/news/east-palestine-train-derailment/norfolk-southern-releases-remedial-action-work-plan-for-cleanup-of-east-palestine-train-derailment-site

 

- Aqui o plano da Arcadis para download: https://pt.scribd.com/document/625614802/East-Palestine-RAWP-Feb-10-2023#download&from_embed

 

- Notícia mais recente, do The Guardian, com várias reflexões, chamando a atenção para possibilidade de outros acidentes ferroviários com vazamentos e descarrilamentos: https://www.theguardian.com/us-news/2023/feb/11/ohio-train-derailment-wake-up-call?fbclid=PAAabpfxdAGrJekO8quvb6hA3kb5fgJ6R6ES14VNs3UqzZ2ZveSTK7SR7Mv0I

 

- Às vezes as pessoas me questionam se não ficamos preocupados que as áreas contaminadas serão todas remediadas um dia e ficaremos “sem trabalho”. O caso do acidente em Ohio mostra que ainda teremos muitas áreas contaminadas para gerenciar. Mas, além dela, que pode ser um caso isolado, há muitas outras possibilidades. Esse gráfico responde a uma parte dessa questão, ele mostra onde ocorreram os vazamentos de óleo e gás nos EUA. Vejam que impressionante. https://twitter.com/SophiaKianni/status/1625673683040886784?t=Um98kUOoKC77NHZOmrxbdw&s=08

 

- Outra parte importante da resposta para a pergunta acima é que continuamente começaremos a prestar atenção em novos contaminantes, que hoje chamamos emergentes. Na Sessão PFAS de hoje, Sergio Ogihara recomendou no Linkedin uma reportagem que indica que a EPA deverá anunciar em breve um fundo bilionário para tratar água de consumo contaminada com PFAS, indicando ser essa uma grande preocupação ambiental por lá, com reflexos aqui: devemos retirar os PFAS da água de consumo, e a investigação/remediação das áreas fontes deverá estar na ordem do dia. https://www.waste360.com/pfas-pfoas/epa-announces-infrastructure-funding-addressing-pfas-drinking-water

 

- Ainda na Sessão PFAS de hoje, o governo canadense vai propor limite de potabilidade da soma de PFAS da ordem de ppts (ng/L). Isso vai ocorrer em breve como decorrência da validação, por parte da EPA dos métodos analíticos “EPA Methods 533 and 537.1”, que preveem a análise conjunta de 29 PFAS. A ideia é que a soma não passe de 30 ng/L. O texto do Departamento de Saúde do Canadá traz detalhes analíticos, que recomendo para os químicos que me leem aqui:  https://www.canada.ca/en/health-canada/programs/consultation-draft-objective-per-polyfluoroalkyl-substances-canadian-drinking-water/analytical-considerations.html

 

- A Polícia Federal fez uma ação nessa semana contra um grupo suspeito de contrabandear e “esquentar” o ouro extraído ilegalmente no Brasil. A PF bloqueou 2 Bilhões de Reais da quadrilha. Sim, bilhões com B. Mais uma vez, aquelas imagens de grupos de garimpeiros pobres saindo das terras indígenas dá uma falsa impressão que o garimpo é um meio de subsistência de uma população pobre, mas, como sempre, por trás da massa de trabalhadores precarizado, há um grupo de “donos” que ficam com a riqueza. Nesse caso, a riqueza é fruto de atividade criminosa. O esquema facilitaria o envio do ouro para quatro países: Itália, Suíça, China e Emirados Árabes. Segundo a investigação, entre 2020 e 2022, a fraude na emissão de notas fiscais chegou a R$ 4 bilhões, o equivalente a 13 toneladas de ouro (!!!!). O delegado da PF declarou que o esquema funcionava da seguinte forma: empresas menores recebiam o ouro ilegal e as notas fiscais ilegais. Depois, emitiam novas notas fiscais ilegais dando uma aparência de legalidade ao ouro. Então, o ouro era repassado para empresas maiores, no topo da exportação.

 https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2023/02/15/pf-operacao-contrabando-ouro.ghtml

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/02/15/pf-operacao-contra-ouro-ilegal.htm

 

- Também nos EUA, mas desta vez no Arizona, um novo acidente com vazamento de produtos químicos causa remoção de pessoas das suas casas. Desta vez o vazamento foi de ácido nítrico. https://www.washingtonpost.com/nation/2023/02/15/nitric-acid-spill-tucson-arizona/

 

- Um texto bem interessante (infelizmente em inglês), de Patrick Loftus, sobre um tema que trazemos constantemente aqui, o Decrescimento. Na esteira do acontecido em Ohio, e também na notícia abaixo, sobre o plástico em bebês, nos pegamos pensando: será que realmente precisamos, como sociedade, correr esses riscos? O artigo fala um pouco disso. O texto foi elaborado a partir de um a solicitação de um professor do Programa de Pós-Graduação nesse tema da Universidade Autônoma de Barcelona, que pediu aos alunos (Loftus entre eles) que escrevessem como o Decrescimento impactaria o modo de vida em seu local de origem. Loftus, então, escreveu sobre o Maine, um estado pequeno e predominantemente rural nos EUA. Embora escrito especificamente para o Maine (e New England), o diagnóstico dele é preciso sobre as mudanças climáticas e eventuais adaptações obrigatórias no nosso modo de vida, que, em algum momento, passará pelo Decrescimento. https://degrowth.info/en/blog/a-degrowth-housing-vision-for-maine#

 

- Bebês com plástico!!!! Reportagem da Folha traz informações mais recentes indicando que micro e nanoplásticos (partículas muito pequenas formadas a partir da degradação dos plásticos) são comumente encontradas no cabelo, fezes e órgãos do ser humano. A toxicidade dessas partículas ainda não está bem entendida (não há dados no IRIS, por exemplo, portanto não há limite de potabilidade ou de inalação), tampouco a eventual interação delas com outras SQIs. Agora a novidade é um artigo publicado por pesquisadores italianos que encontraram microplásticos de 5-10 micrometros na placenta de bebês (em 2/3 das amostras). Foram chamadas de “plasticentas”. Temos urgentemente que repensar nosso modo de vida. Como diz a reportagem, é importante, individualmente, reduzirmos o consumo de plástico, mas sempre lembrando que a luta deve ser coletiva, para criar políticas públicas que restrinja a fabricação, distribuição, consumo e descarte desse material.  https://www1.folha.uol.com.br/blogs/ciencia-fundamental/2023/02/a-nova-geracao-de-bebes-com-plasticos.shtml

 

- ChatGPT Acadêmico: Marcio Telles indica no Twitter o Consensus, que é uma ferramenta também de inteligência artificial que nos dá respostas, similar ao ChatGPT. Você faz uma pergunta sobre algo científico e ela busca em artigos respostas baseadas no consenso da comunidade acadêmica.  https://twitter.com/tellesjornal/status/1626603121295122432?t=wQQoVICtO9JbBS-uGEsHkg&s=08

 

- Já falei aqui algumas vezes sobre Estatística Bayesiana, que usa dados prévios para tirar as conclusões. É a base da Medicina Baseada em Evidências (MBE), e deveria ser a base para nós no GAC também. Vamos lá. O José Alencar, especialista nesse assunto, colocou uma pergunta: A prevalência do câncer de mama global é de 1% das mulheres. O teste tem 90% de confiança (acerta em 90% dos testes). Se uma mulher tem o teste positivo, qual a probabilidade de ter mesmo câncer? Nosso primeiro ímpeto é dizer 90%, portanto, confiaríamos muito nesse teste. Alencar mostra uma pesquisa dizendo que quase 80% dos médicos falou a mesma resposta, o que ele chama de “médicos-leigos”, aqueles que não ligam para as aulas de metodologia da pesquisa nem de estatística, não tem bons conhecimentos de ciência e saem fazendo exames a esmo (inclusive são considerados os “bons médicos”, exatamente por pedirem muitos exames). Mas qual seria a resposta? Como não sabemos, a priori, se a paciente está ou não doente, é preciso usar os dados que temos, no caso, a prevalência da doença. A resposta então é a seguinte: imagine 1000 mulheres. Com a prevalência de 1%, teremos 10 mulheres com câncer. Dessas, 9 apresentarão o teste positivo (90%) e 1 apresentará teste falso negativo. Agora, atenção. Nas outras 990 mulheres, 90% apresentarão teste negativo, até aí OK, mas, 10% apresentarão falsos positivos, ou 99 mulheres (!!!!). Então, dessas 1000 mulheres, 108 (99+9) apresentarão resultado positivo, das quais, apenas 9 têm a doença. Portanto, a probabilidade de uma pessoa com resultado positivo ter realmente câncer de mama não é 90%, mas sim, cerca de 8% (9 em 108), portanto, há 92% de chances de falso positivo. E se o teste der negativo? Bom, temos 1 falso negativo e 891 negativos reais, uma chance de 0,11% de um falso negativo. O que fazer então? Na medicina, se diz que “a clínica é a rainha”, ou seja, deve-se coletar diversas linhas de evidência e entender qual a prevalência de câncer de mama naquelas condições clínicas, e, só aí, com uma possibilidade maior daquela pessoa ter realmente câncer, solicitar o exame. No GAC, o “campo é o rei”. Qual a chance de um falso positivo na sua área? Vamos analisar qualquer SQI sem possibilidade dela ter sido usada no site? Leia a explicação completa aqui: https://twitter.com/josenalencar/status/1624886710059384835?t=k3hWyVw2Km-r9JP6WKrIMw&s=08

 

- Água Subterrânea no Cerrado: uma notícia bem interessante: o Grupo A Vida no Cerrado (AVINC), em parceria com o Grupo Engajamundo, participará da segunda Conferência Mundial da Água da Organização das Nações Unidas (ONU), entre os dias 22 e 24 de março, que tem como principal foco debater a importância de políticas públicas globais para proteção das águas subterrâneas. Então, é uma notícia duplamente interessante: a participação de entidades de defesa do nosso Cerrado em uma Conferência da ONU. E o tema “Águas Subterrâneas” vir à tona (com o perdão do trocadilho) também em uma Conferência desse porte. Isso mostra mais uma vez que não podemos simplesmente implantar polígonos de restrição de consumo de água nos nossos casos e deixar a contaminação remanescente lá, sem sequer monitorar. Vamos acompanhar. https://www.avidanocerrado.com/post/s%C3%A3o-as-%C3%A1guas-do-cerrado-na-confer%C3%AAncia-mundial-de-%C3%A1gua-da-onu-fechando-o-ver%C3%A3o

https://brasil.un.org/pt-br/218239-conferencia-da-onu-sobre-agua-acelerando-acao-para-futuro-sustentavel#:~:text=A%20cidade%20de%20Nova%20Iorque,2030%20para%20o%20Desenvolvimento%20Sustent%C3%A1vel.

https://sdgs.un.org/conferences/water2023

 

- Aqui uma história bem interessante no Twitter. Recomendo que vocês leiam tudo, mas vou reconta-la aqui: um executivo de uma grande empresa do Agronegócio visitou uma pequena roça em uma comunidade rural pequena. A roça era familiar, de 1 hectare, e a família plantava basicamente milho, abóbora, arroz, jiló, quiabo. A menina mais nova, de cerca de 7 anos, mostrava muito empolgada os pés de abóbora que ela tinha plantado diferenciando dos que as irmãs e a mãe tinham plantado. Era época de colheita do milho e estavam todas muito felizes, comendo milho verde cozido, milho assado, fazendo curau, pamonha, etc. O executivo do Agronegócio declarou que a propriedade não era produtiva o suficiente e não “valia a pena” a família investir nela. Muito provavelmente ele tem razão pela ótica do “business”. Pode ser que, do ponto de vista técnico, do olhar agronômico, ou do Engenheiro, ou mesmo de um cientista como nós, que poderíamos avaliar o fluxo energético, etc. Mas o que nós não conseguimos mensurar, portanto, a decisão de “valer a pena” é complexa e multifatorial (como a vida) é o quanto aquela terra, aquela roça, aquele modo de vida significa para aquelas pessoas. Isso não significa larga-las à própria sorte, nem privá-las de tecnologias e de objetos que proporcionem maior qualidade de vida. Mas o que é a qualidade de vida? Não querendo comparar, mas quantas vezes no GAC vocês ouviram que tal atividade, que seria a melhor, era “inviável economicamente”, da mesma forma que a roça? Quantas vezes o business se sobrepôs ao que promoveria maior qualidade de vida para os trabalhadores daquela atividade? Essa semana, a Lilian Puerta, no episódio #142 do Podcast, nos deu boas lições sobre o que é a busca pela qualidade de vida. Ela, da mesma forma que eu, não tem as respostas prontas. Mas sabe que deve procurar.     https://twitter.com/pedromanzur/status/1626029395671384065?t=zNwfrzlcOZQM-4Uhbp3RCA&s=08

 

- Para finalizar, um vídeo curto no Instagram do Instituto Serrapilheira que fala de algumas curiosidades sobre Charles Darwin. Bem interessante: https://www.instagram.com/reel/CokVb1Pgwq9/?igshid=MDJmNzVkMjY=

 

  

Amigas e amigos, muito obrigado pela leitura. Acessem também nosso Canal do Youtube (https://youtube.com/c/ecdtraining ), Canal do Telegram, ficado em vagas de emprego (https://t.me/areascontaminadas ) Página no Facebook (https://www.facebook.com/ecdambiental ) e Perfil no Instagram (@ecdambiental). Mais uma vez peço que acessem o https://apoia.se/ecdambiental para vocês conhecerem melhor a nossa campanha e, se quiserem e puderem, contribuírem conosco

 

Por hoje é isso. Aguardo os comentários, sugestões e críticas. Se tiverem dúvida, estou à disposição.

 

Se alguém não quiser mais receber as minhas mensagens, é só responder esse e-mail com o texto REMOVER

 

Marcos Tanaka Riyis

 

 

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